Una, 2022

óleo e bastão oleoso sobre tela

100 x 150 cm

Cálida, 2021

Óleo e bastão oleoso sobre tela

150 x 140 cm

Chamar o vento, 2022

óleo e bastão oleoso sobre tela

200 x 120 cm

Chamar o vento II, 2021

óleo e bastão oleoso sobre tela

200 x 120 cm

Virá, 2022

óleo e bastão oleoso sobre tela

126 x 267 cm

Noturnam, 2022

óleo e bastão oleoso sobre tela

160 x 200 cm

Coralínea, 2022

óleo sobre tela

120 x 80 cm

Verde azul noite, 2022

Óleo e bastão oleoso sobre tela

90 x 70 cm

Refúgio, 2022

óleo sobre linho

71 x 66,5 cm

Casa, 2022

óleo sobre linho

68 x 64 cm

Chove dentro, 2022

óleo e bastão oleoso sobre tela

150 x 100 cm

Mata adentro, 2022

óleo e bastão oleoso sobre tela

200 x 120 cm

 

Virá que eu vi[1]
 

O gênero da paisagem na história da arte ocidental foi, por muito tempo, considerado menor, de pouca relevância pelas academias francesas e italianas, inferior às grandiosas modalidades da pintura histórica, religiosa e dos retratos de personalidades eminentes. Contudo, foi também a paisagem elemento central no ponto de inflexão da arte moderna, tornando-se assunto recorrente dos impressionistas que passavam a pintar en plein air. A mudança de ambiente – do ateliê fechado, de condições controladas, para o ar livre e a luz solar – impôs uma condição distinta aos pintores que, com urgência, desejavam captar uma atmosfera fugidia e em constante transformação. Assim, não parecia mais necessário definir folha por folha na copa de uma árvore, ou mesmo os detalhes das montanhas à distância. Ao contrário, essas vistas passaram a ser materializadas com todas suas imprecisões e manchas, como o olho as enxergava, e não como acreditava-se que deveriam ser representadas.

À medida que vimos delinear-se a superação da arte moderna, que testemunhamos o desenvolvimento copioso da fotografia e que a abstração passou a sobressair-se na pintura, a paisagem pôde enfim se libertar ainda mais de sua âncora atrelada ao real. Assim, como tema e como imagem, como alegoria e como meio, ela pôde expandir-se para além da ideia de um lugar retratado fielmente, tomando campos de representações simbólicas, evocativas, fabulosas e abstratas. E foi em algum ponto deste território ampliado que surgiu o trabalho de Thalita Hamaoui. Interessada pela força vital da natureza, sua produção teve início já na esfera pictórica, com suas primeiras obras em grande escala trazendo uma pequena casa em meio a uma paisagem vibrante, cheia de movimento, cercada pelos elementos do ambiente sem respiro.

Logo as construções e figuras humanas foram engolidas pelas formas orgânicas engendradas pela artista, prevalecendo apenas a vegetação. Atualmente, o processo de feitura das obras envolve a realização de várias delas ao mesmo tempo, como se cultivadas simultaneamente para alimentar-se umas às outras. As formas desenhadas por Hamaoui diretamente na tela - com pincel, bastão oleoso ou lápis -, às vezes desaparecem soterradas por outras camadas de densidade, de tempo, figuras e cores. Outras vezes, há desenhos que perduram e sobrevivem à sucessão pictórica. Em ambos os casos, essas imagens são criadas a partir de um repertório que se repete, sendo ao mesmo tempo singularidade e parte de um todo. Não há observação direta da natureza nesta pesquisa, mas sim uma pintura de memória com miragens mirabolantes.

Os elementos das composições ora derivam de plantas e árvores vistas na mata atlântica no Brasil, ora surgem imaginados como espécies primitivas extintas ou estranhas categorias botânicas que poderiam habitar o planeta em um futuro longínquo depois de milênios de evolução, quando a vegetação tomar tudo de volta. Em paralelo, as geografias que se delineiam ao longo das telas também não existem como topografia de um local concreto. Nas obras, erguem-se como delírios que, em uma fração do tempo que demorariam a se formar pelos processos geológicos, elevam montanhas, afundam vales, enchem oceanos ou os desertificam, como uma imagem-premonição inventada, retratando aquilo que ainda está por vir – e que, de certo, um dia virá.


Julia Lima

 


[1] Verso da canção “Um Índio”, de Caetano Veloso.

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