Se perguntarmos a um homem da metrópole: De que cor é o céu?... ele responderá sem titubear: "É azul"... Se colocarmos a mesma questão a um indígena Pemón, na amazônia venezuelana, ele responderá com outra pergunta: Em que momento?... De noite?... De dia?...

No início dos anos 50, senti a necessidade de inventar o meu próprio discurso, e para isso emprendi uma longa e metódica análise daquilo que até então era a arte de pintar. Descobri assim que, ao longo de muitos séculos, a noção de cor na arte esteve estreitamente vinculada a uma ideia estereotipada. A cor era aceita como uma simples anedota da forma, porque o desenho, a temática e o "estilo pessoal" eram mais importantes.

No entanto, a busca por informações sobre as diferentes teorias físicas, químicas e industriais, assim como as reflexões dos filósofos e artistas, e algumas vivências pessoais, me mostraram que a cor era muito mais do que uma simples anedota da forma.

Entre essas experiências pessoais, lembro que, quando criança, enquanto minha avó servia o café da manhã, as cores do vitral de uma janela refletiam sobre meu corpo e na toalha branca da mesa, mudando continuamente conforme a intensidade do sol. Muitos anos depois, vivi outra experiência inesquecível nos llanos¹ da Venezuela. Acontece que, por volta do mês de agosto, quando o sol se põe no horizonte, observa-se um intenso efeito de saturação que modifica a cor das árvores, da terra, dos objetos e das pessoas. Tudo fica submerso numa atmosfera monocromática alaranjada que vai desaparecendo lentamente à medida que a noite cai.

Nestes episódios, a cor aparecia e desaparecia sem suporte, não era uma matéria aplicada com pincel sobre uma tela. Mas, além disso, observei que a emoção era de igual intensidade à de uma pintura. Compreendi então que ali havia uma pista que incitava a buscar outras soluções e outras noções da cor na arte.

Toda minha obra, nas suas diferentes manifestações, pretende revelar uma outra percepção e um outro deleite do mundo da cor na arte. Não como uma anedota da forma, mas como um fato de transfiguração, uma "situação", um acontecimento que evolui de instante a instante durante as 12 horas em que o sol nos visita diariamente.

As obras expostas [...] propõem a cor fazendo-se e desfazendo-se no tempo e no espaço. São "suportes de acontecimentos cromáticos", espécie de armadilhas de luz, onde o espectador pode descobrir e estimular o seu ressonador afetivo. Nas minhas obras, a cor flutua virtualmente fora do suporte que as contém. O que aparenta ser uma forma é, na realidade, uma sucessão programada de linhas paralelas que, por acumulação, geram espaços de cores cambiantes e virtuais que não foram fisicamente aplicados.

A proposição da cor evoluindo, aparecendo e desaparecendo constantemente, produz uma dialética de tempo e de espaço entre o espectador e a obra. Essa dialética precisa de um "suporte material" que evidencia o imaterial e dá um caráter próprio para cada uma das obras.

O "suporte", ou seja, o espaço real, pode apresentar as mais diversas soluções, desde que expressem e comuniquem o discurso com eficiência. Todas as superfícies que penso para este propósito criam um espetáculo cromático de transfiguração que é independente da forma que o contém. Esta "forma" ou "continente" excede a sua simples condição de forma para dar lugar ao espetáculo que se produz e que caracteriza e individualiza cada uma das obras.

Através das minhas investigações, procuro encontrar soluções não tradicionais para a percepção do mundo cromático e do espaço plástico. Considero que a arte é comunicação, que o artista não deve apenas realizar obras para os colecionadores e os museus, mas deve estar presente em todos os âmbitos relacionados com a coletividade.

Penso que uma obra de arte integrada na cidade ou no habitat deve gerar acontecimentos inéditos em permanente mutação que prolonguem "o chamado visual a uma leitura no tempo".

 

CARLOS CRUZ-DIEZ

 

¹ Os Llanos são uma vasta região do norte da América do Sul (Venezuela e Colômbia), inseridos no bioma das savanas. São considerados um ecossistema muito importante para ambos os países devido à sua aptidão para a pecuária e a agricultura.

 

Physichromie Panam 6, 2010

cromografia sobre alumínio

100 x 150 cm

Physichromie Panam 227, 2015

cromografia sobre alumínio

50 x 75 cm

Physichromie Panam 306, 2018

cromografia sobre alumínio

80 x 160 cm

Physichromie Nº 338, 1967

papelão pintado com placa em pvc

60 x 60 cm

Physichromie Panam 157, 2014

cromografia sobre alumínio

100 x 200 cm

Alfombra, Serie Caroní, 2018

100% lã tecida à mão na Índia, 68.000 nós por m²

170 x 240 cm

edição de 50

Physichromie Panam 87, 2012

cromografia sobre alumínio

50 x 50 cm

ed. 7/8

Physichromie Panam 293, 2018

cromografia sobre alumínio

60 x 90 cm

Physichromie Panam 265, 2017

cromografia sobre alumínio

50 x 50 cm

ed. 7/8

Color Aditivo, Serie Círculos Verticales 1, 2010

cromografia sobre alumínio

240 x 60 cm

ed. 1/8

Laberinto de Transcromía Rachel, 2017

lâminas de pvc impressas

240 x 365 x 635 cm

ed. 1/3

X
ID: 20
Physichromie Panam 6, 2010
cromografia sobre alumínio
100 x 150 cm





X
ID: 21
Physichromie Panam 227, 2015
cromografia sobre alumínio
50 x 75 cm





X
ID: 22
Physichromie Panam 306, 2018
cromografia sobre alumínio
80 x 160 cm





X
ID: 23
Physichromie Nº 338, 1967
papelão pintado com placa em pvc
60 x 60 cm





X
ID: 24
Physichromie Panam 157, 2014
cromografia sobre alumínio
100 x 200 cm





X
ID: 25
Alfombra, Serie Caroní, 2018
100% lã tecida à mão na Índia, 68.000 nós por m²
170 x 240 cm

edição de 50






X
ID: 26
Physichromie Panam 87, 2012
cromografia sobre alumínio
50 x 50 cm

ed. 7/8






X
ID: 27
Physichromie Panam 293, 2018
cromografia sobre alumínio
60 x 90 cm





X
ID: 28
Physichromie Panam 265, 2017
cromografia sobre alumínio
50 x 50 cm

ed. 7/8






X
ID: 29
Color Aditivo, Serie Círculos Verticales 1, 2010
cromografia sobre alumínio
240 x 60 cm

ed. 1/8






X
ID: 30
Laberinto de Transcromía Rachel, 2017
lâminas de pvc impressas
240 x 365 x 635 cm

ed. 1/3






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