O noivo da ascensorista, 2018

Óleo sobre tela

180 x 150 cm

Matemática, 2017

Óleo sobre tela

180 x 150 cm

Maninho, 2018

Óleo sobre tela

180 x 150 cm

Para ser nomeado, 2018

Óleo sobre tela

55 x 45 cm

Cidade Fantasma, 2019

Acrílica sobre lona crua e acrílica sobre madeira

180 x 150 cm

Sem Título, 2019

Acrílica sobre lona crua e acrílica sobre madeira

180 x 150 cm

Emerson 3, 2018

Óleo sobre tela

24 x 18 cm

Emerson 2, 2018

Óleo sobre tela

24 x 18 cm

Emerson 1, 2018

Óleo sobre tela

22 x 16 cm

Emerson 4, 2018

Óleo sobre tela

22 x 16 cm

Sem Título, 2018

Óleo e tecido sobre tela

24 x 18 cm

Sem Título, 2018

Óleo e tecido sobre tela

24 x 18 cm

Sem Título, 2018

Guache sobre papel

35 x 25 cm

Sem Título, 2018

Guache sobre papel

35 x 25 cm

Sem Título, 2018

Guache sobre papel

35 x 25 cm

 

Rodrigo Bivar: A conta não fecha

 

Em um primeiro olhar, parece fácil matar a charada. A conta que Rodrigo Bivar faz é de um pra lá, outro pra cá. Um plano vertical é dividido em dois, com a parte de cima pintada com uma cor e a parte de baixo com outra. A primeira relação é entre dois retângulos que preenchem, de maneira uniforme, a frente da lona. Pode ser que o artista sugira um contraste ruidoso entre o lado de cima e o de baixo,  pode ser que ele construa uma passagem tonal, lenta e harmônica. As possibilidades são infindáveis, mas a unidade da pintura é dada pela relação entre cores em uma superfície qualquer. Elementos claros, agrupados da maneira mais simples possível.

O artista, no entanto, perturba essa clareza franca e direta ao inserir buracos no meio e nas bordas desses planos coloridos sobrepostos. Os rasgos são irregulares, têm formas orgânicas, arredondadas. Atrás deles aparecem dois outros planos. As manchas em cima têm uma cor, e as de baixo outra.

É como se houvesse uma pintura sobre outra, alguns tremores sob o que parecia imperturbável. Deixamos de olhar somente para o primeiro plano dessa superfície e entrevemos outras cores. A pintura passa a ser a história de um plano que era íntegro, mas parece ter tropeçado e aberto flancos, direcionando o olhar para o que acontece por detrás dele. A unidade anterior da pintura, baseada na passagem de uma cor para outra parece não fazer mais o mesmo sentido.

Em Matemática (2017), por exemplo, Bivar sobrepõe um retângulo rosa a um retângulo azul. As duas cores têm uma luz parecida, acinzentada, que nos faz aproximá-los. Por trás de cada campo, o pintor insere cinco falhas. Em cima entrevemos um verde escuro em baixo um cinza muito aparentado com o azul que lhe cobre. Apesar de ter o mesmo número de formas em um lado e outro, a simetria entre as partes não se dá. A conta não fecha.

A pintura simula a busca de quem quer acertar as pontas, repetir o que foi feito, implementar um modelo, uma doutrina, um pacote econômico, fazer as coisas como manda o manual, tentar que o mundo caiba nos modelos. A vida, contudo, escapa às promessas do manual e esses modelos olham a história com monóculo. Bivar sabe disso e trata o patético descompasso entre o que se espera e o que acontece com humor. A pintura para ele parece acontecer quando as pontas soltas se embaraçam e mostram que a exceção se tornou a regra.

 

Tiago Mesquita

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