Lavoura, 2022

óleo sobre tela

120 x 150 cm

Nuvem, 2022

óleo sobre tela

230 x 360 cm

Arquipélago, 2022

óleo sobre tela

140 x 180 cm

Deserto, 2021

óleo sobre tela

230 x 360 cm

Mangá, 2022

óleo sobre tela

150 x 100 cm

Faixas, 2021

óleo sobre tela

200 x 160 cm

Totem, 2021

óleo sobre tela

200 x 160 cm

Coração, 2022

óleo sobre tela

120 x 100 cm

Pedra Verde, 2021

óleo sobre tela

200 x 160 cm

Paisagem, 2021

óleo sobre tela

100 x 150 cm

Cometa, 2022

óleo sobre tela

120 x 130 cm

Sem título, 2021

óleo sobre tela

200 x 160 cm

Paisagem Mineral, 2022

óleo sobre tela

100 x 120 cm

Jóia, 2022

óleo sobre tela

100 x 150 cm

Paisagem, 2011

aquarela sobre papel

30 x 40 cm

Sem título, 2014

aquarela sobre papel

30 x 40 cm

Nuvens, 2014

aquarela no papel

30 x 40 cm

Céu vermelho, 2012

aquarela sobre papel

30 x 40 cm

Personagem, 2012

aquarela sobre papel

30 x 40 cm

Corpo, 2012

aquarela sobre papel

30 x 40 cm

 

E no princípio era Antonio

 

Conheço Antonio Malta desde sempre. Antes de saber se a Terra era redonda, antes de amarrar meus próprios cadarços, de escovar, sozinho, meus leitosos dentes. Muito antes até do descobrimento da figura atemporal de Antonio Malta, pois no princípio dos tempos só existia o Antonio, que era o irmão do Candinho. Isto, quando o portão de ferro ainda não era azul, e o Bola de Neve ficava na Ibsen da Costa Manso.

No entanto, houve um fato decisivo, misterioso e inexplicável.

Um belo dia todos os Malta desapareceram da face da Terra e diz a lenda que eles migraram para o Hemisfério Norte.

Quando voltaram, estavam diferentes. As xícaras que eram de branca louça se transmutaram para um vertiginoso plástico laranja. O guidão de sua bicicleta espichou bifurcado num espantoso pescoço berlineta. E eis que, de repente, avisto deslizando pela Itapirapuan um Malta redesenhado, moderno, lépido e com alourados cabelos esvoaçantes.

Diante dos meus olhos abismados, um novíssimo Antonio esculpia em pleno asfalto a rota de seu futuroculto.

Brotada, a semente da amizade espalhou-se em ramas múltiplas, viçosas e verdejantes. Como fruto maior, o desenho a lápis, grafite colorido, a canetinha hidrográfica Sylvapen, antecipando a chegada do Nanquim.

Nessa época, mesmo alfabetizados e falantes, nos comunicávamos melhor quando cobríamos papel: esse era o nosso vocabulário.

Nunca perguntei ao Antonio sobre a importância do Hergé e do Tintin em sua vida. Mas do Millôr tenho certeza.

Assolados por um delírio ubatubozo, passamos um dia inteiro procurando a entidade do ídolo, que não sei quem disse que estaria no Lázaro. Em vão. Mitos não caminham a passos humanos, voam com as asas invisíveis dos super-herois.

Na adolescência foi que veio a constatação inequívoca: Antonio era craque. Mais do que palavras, nessa vida, nós dois trocamos passes. Os meus, estabanados e afoitos, sempre foram aparados pela técnica refinada do amigo corintiano. Malta— como ficou conhecido nessa época—, já era titular absoluto do Papagaio. Dono da camisa 5, que nunca me pareceu justa para sua categoria de meio-armador. É que no meio-campo havia a concorrência dos habilidosos Marcelo Fromer e Rodrigo Andrade. Mas isso é outra história.

O nome do time, Papagaio, veio da revista em quadrinhos homônima. Três números espetaculares, publicados pela gráfica do Colégio Equipe. Nas páginas da revista, o talento de Malta surgia com destaque. Criação genial, Doctor Josesmain definiu um signo que permearia a obra do meu pretérito-eterno amigo: o chapéu de abas-curtas (seria o chapéu do enigmático senhor uma relação com os desconcertantes chapéus que o seu criador distribuía, implacável, nos campos?). Ainda na revista Papagaio, Malta desenhou os hoje impublicáveis Trocadalhos do Carilho.

Eis que então surge o inesperado: como um monge do Butão, Malta se recolhe num silêncio enigmático e perturbador. Mergulha num retiro particular que, se naquela época parecia ser um inescrutável buraco negro, hoje entendo como sendo o big-bang de sua trajetória disruptiva. Malta criou ali seu universo pictórico, tão singular como sedutor. Sua marca, seu selo, seu tempero, linguagem e estilo.

O que nossa amizade tem de perene e constante, a minha admiração contrasta por ser ascendente e incontida. A cada visita ao ateliê, a cada exposição que inaugura, sempre saio mais certo daquilo que preconizava o início de nossa longevida: que grande sujeito esse meu camarada, que artista supremo!

Das misturinhas às telas colossais, das tiras em quadrinhos em preto e branco à orgia das cores multidimensionais, sempre presentes na essência nuclear de seu pensamento. Força expressiva e linguagem inconvencional: para mim, são os pilares determinantes do artista que cria a obra poderosa.

E assim descrevo a trajetória do meu fundamental amigo. Do pré-histórico Antonio surgiu o moderno Malta, para daí finalmente sintetizar o efêmero da existência na imortalidade de sua criação: a magnífica obra do artista Antonio Malta.

 

Nando Reis

 

P.S. Como o doce das águas do rio se misturam com o sal das águas do mar, nessas telas vemos também as cores de Zoé Passos acrescentando outras cores às novas telas de Antonio. E o tempo?… Segue firme e em frente, sempre inalcançável como incessante movimento.

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